Anéis, muitos anéis

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Quem cheira à fumaça é pequinês

Inversamente proporcional ao volume de trabalho é a atualização do blog. Ou seja, quanto mais o atendimento do cartório aumenta e vem mais a Bruna me entupir de serviço, estabelecendo definitivamente o regime de semi-escravidão instaurado desde o casamento, menos tempo tenho para dedicar à Folha, para desespero e inconformismo dos fãs, que até suplicar através de recados na poeira do vidro do carro estão fazendo. Entre os indefectíveis “lave-me” e "fulano te amo”, agora tem os “queremos postagens” e o “poste ou morra”.

Somando ao excesso de trabalho, obtive junto à supracitada esposa, através de negociação intermediada pela Organização dos Maridos Explorados (OMAXO), alvará para pedalar, emitido em caráter precário e salvo melhor TPM. Daí que estou saindo de casa que nem cachorro que escapou da coleira, pedalando em desabalada carreira a fim de voltar à saudosa época em que eu percorria 80, 100 km num só dia.

Pelo exposto, peço desculpas aos leitores pelos lapsos temporais cada vez maiores sem postagens, mas é que o dever (e o esporte) me chama.

Falando em pedaladas, antes mesmo de sair da zona urbana de Caretas, tenho observado o aumento no número de queimadas.

Do jeito que a coisa anda, não é difícil Caretas vir a ser conhecida como a Terra dos Defumados. E não pense o leitor que é por causa daquelas tentações que ficam penduradas nos supermercados, empórios e botecos da vida, do time dos provolones, lombinhos, copas, salames, calabresas, enfim, tudo aquilo traduzido num lento e irresistível suicídio. Infarto embutido caramelizado com triglicérides crocantes e o puro colesterol Nestlé.

Aqui a especialidade é outra. Estamos nós, mais os lobos, as onças, tatus, pássaros e demais animais ficando totalmente defumados, tendo que respirar mato e madeira queimados, como se não bastasse o ar seco. Até parece que estamos em Pequim, de tão fumacento o ambiente. E pra Caretas virar definitivamente uma Pequim-Tupiniquim, basta aproveitar os campos repletos de bichos esturricados, fazer a colheita e começarmos a degustar os mais variados e deliciosos petiscos de espetinho de grilo, escorpião e caviar de micuim.


Vai um aí? Deixe que eu pago!

Todo ano é a mesma coisa, só que agora tá pior. Setembro nem chegou e os incendiários de plantão já trataram de botar fogo nos campos, a titulo de “renovação de pastagem”.



E aí? Vai ficar chocado comigo ou com os assassinos incendiários?

Dizem os biólogos e geólogos eco-naturebas que tal método indígena é extremamente danoso ao meio ambiente, pois provoca uma cristalização que impermeabiliza o solo e não deixa a água infiltrar e abastecer o lençol freático (não lençol frenético, como dizem alguns), além de acabar com os nutrientes do solo, dando início a um processo de desertificação. Teclei bonito, mas o trem é feio.



O fogo também consome as matas ciliares, impedidas de se recuperar, assim como não permite o aumento da vegetação no entorno das nascentes e reduzindo o volume da água.

Há casos, ainda, em que o incendiário, além de torrar sua área, queima a área do vizinho, pois não toma as devidas precauções para o fogo não ultrapassar os limites de sua propriedade.

O engraçado é que existem pessoas na cidade que torcem o nariz ao ver a serra toda iluminada pelas pousadas lá instaladas. Em que pese a especulação e expansão imobiliária totalmente descontrolada, no melhor estilo cada-um-por-si, olho e agradeço pois é a única forma mais urgente de conter as queimadas anuais, pois é óbvio que aqueles que pretendem sobreviver do turismo, ou apenas ter um refúgio natural, em tese (eu disse “em tese”) costumam (???) lutar pela preservação da natureza. Humpf (expressão de origem nórdica cujo significado aproximado é "Até parece" ou "Deus tá vendo").


Outra forma de conter as queimadas, porém de longo prazo, é a conscientização das crianças e adolescentes. Grande arma para essa conscientização é através do esporte. E eu, como entusiasta da prática do MTB (mountain-biking) nesta região, tenho certeza que se um dia existir uma secretaria de esportes nesta cidade, e houver um incentivo à prática deste esporte, com os jovens percorrendo tanto os trechos preservados quanto os degradados, a mentalidade deles mudará radicalmente, fora a melhoria no desenvolvimento físico, correndo ainda a risco de se produzirem vários campeões da modalidade.


sábado, 2 de agosto de 2008

Compro área rural com cachoeira. Tratar com E.T. de Carrancas.

Chegou às mãos do blogueiro um exemplar de um tablóide noticiando a criação do Parque Reserva Natural “Serra do Moleque”, na região da Cachoeira da Zilda.

O lugar é, sem dúvida, uns dos mais bonitos do município, e pra quem está chegando agora, foi lá mesmo que, pra Rede Globo poder gravar algumas cenas da novela “O fim do mundo”, abriu-se uma estrada monstruosa em plena mata ciliar, derrubando árvores, ninhos, orquídeas, etc.

Fosse pela Globo, o fim do mundo começaria aqui, com ela mesma dando o chute inicial.

Essa utilização desordenada dos atrativos naturais da cidade me fez receber a notícia da criação do parque com uma certa dose de esperança, já que aquela área se encontra em situação periclitante, onde várias construções de gosto duvidoso foram erigidas recentemente e num piscar de olhos, e onde há uma área de camping que em época de feriado mais se assemelha a um chiqueiro humano.



Lixo, fumaça de churrasco, pancadão, lotação. Esse é o visual deste lugar em dias de feriado.


Não é de hoje que aquela região deveria ter se transformado em parque ecológico. Só que através da prefeitura, onde além do aspecto preservacionista, financeiramente seria bom para o município, que obteria mais receita através da cobrança de ingresso e diárias do camping.


Mas como os representantes dos poderes públicos sempre se mantiveram inertes neste assunto, dentre eles prefeitos, secretários de turismo e vereadores que não se envergonham em dizer que passaram pela câmara por três ou duas vezes (e nada fizeram, atestando sua incompetência), a iniciativa privada mais uma vez chegou na frente.


Na dita matéria consta a construção de um hotel na área, onde se conclui que a região será fechada para visitação, para proveito somente dos hóspedes, a exemplo do que já acontece nas “Sete Quedas” e na região do Pico do Abanador, na Chapada das Perdizes.


Porém, como a matéria não é clara a esse respeito, torço que ocorra o ideal, ou seja, permitir-se-á o ingresso de visitantes no parque, mediante a cobrança de entrada, idéia essa que sempre defendi, desde que seja oferecida uma infra-estrutura condizente com o valor cobrado.


Infelizmente, a verdadeira conscientização ambiental para a maioria das pessoas se dá através do bolso. Quando é obrigado a pagar para curtir a natureza, o visitante dá valor a cada pedra que deixa de rabiscar, a cada árvore que deixa de esculpir um coração, a cada pássaro que não pega do chão a bituca de cigarro (altamente tóxica), levando-a para o ninho.


E assim caminha a humanidade. O fechamento de todos os atrativos naturais da cidade é apenas questão de tempo. A exemplo dos já citados (Sete Quedas, Abanador, e agora Zilda), a Cachoeira das Bicas, Grão Mogol e Turco estão com as porteiras fechadas. E o pior, sem necessariamente significar que estão sendo preservados. Apenas a prática do turismo está proibida. Outras práticas, como queimadas e corte de árvores, não.


Para sorte da população, e dos turistas, ainda resta a região da Cachoeira da Fumaça, que deve virar parque municipal o quanto antes, risco daqueles que aqui nascerão conhecerem as belezas naturais de sua terra apenas através dos sites de hotéis e pousadas na internet.


Na outra ponta da preservação, nesta última quinta-feira boa parte da Serra de Carrancas foi incendiada.


foto tirada do local

A um bom tempo aquela parte da serra não queimava, o que estava trazendo de volta várias espécies de aves e mamíferos que não eram mais vistos por lá, como o lobo-guará (em risco de “instinção”, inclusive).


Tais atitudes só reforçam os argumentos dos que são favoráveis ao fechamento dos locais onde estão as jóias ambientais e, consequentemente, turísticas, de Caretas.


E uma coisa muito estranha ocorreu neste incêndio. Dentre as várias fotos que a equipe do gordo-repórter tirou do incêndio, uma em especial chamou a atenção da redação da Folha.


Somente diante da tela do computador percebi que não estávamos sozinhos. Havia também um OVNI documentando o incêndio.



A autenticidade desta foto será discutida brevemente no programa SuperPop, com a presença do Padre Quevedo e das ufólogas Sheila Mello, Baby Consuelo e Mulher Melancia.


Mas antes de entrar em pânico e fugir pras colinas, que os leitores reflitam que talvez o ET esteja apenas procurando uma terrinha para aqui se estabelecer e levar uma vida mais tranquila, longe da agitação de Marte, que brevemente será loteado pela NASA, ou do calor infernal de Mercúrio.



Muitos Ets estão deixando seus planetas de origem para aterrisar por aqui em busca de qualidade de vida.


E tomara que venham mesmo, pois a exemplo do pioneiro de Varginha, os extraterrestres em geral são campeões de bilheteria e experts em atrair turistas.




ET esperto, é ou não é?