Anéis, muitos anéis

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Tem mosca em nossa sopa

Recebi em casa um folheto da Secretaria de Saúde atentando os cidadãos para o problema da mosca-varejeira, que parece não ter solução.

O folheto é de abril/2007, mas o tormentoso assunto é atual.

Basta mexer na cozinha que ela aparece. Várias delas, verdonas, saradas, dezenas, centenas. Em Carrancas a mosca evolui muito. De pequena varejeira passou a grande atacadista.

Receber alguém de fora da cidade para almoçar é um pesadelo.

Outro dia um amigo míope não quis comer o feijão alegando não gostar de azeitonas. Mas, como assim, feijão com azeitonas? Preferi ficar quieto e oferecer-lhe um pouco mais de macarrão.

Esse bicho do inferno pode até matar.

As fêmeas procuram ferimentos ou cavidades do corpo, como olhos e boca, para pôr seus ovos. Algumas espécies (Dermatobia hominis - gostei, minha filha vai se chamar Dermatóbia) depositam, por lesão ou cavidade, uma única larva esbranquiçada conhecida por berne (em homenagem ao famoso escritor Júlio Berne), produzindo uma miíase nodular cutânea; outras espécies (Cochliomyia hominivorax) depositam vários ovos, ocasionando inúmeras larvas na lesão denominada bicheira (em homenagem àquela contraventora de jogo).

Ao nascerem, as larvas invadem a pele e se alimentam corroendo os tecidos vivos que encontrarem pela frente, devorando até ossos e cartilagens. Esse tipo de infecção pode chegar à amputação de membros do corpo ou até mesmo à morte se não for combatida a tempo.

Além do peão de rodeio, o animal mais atingido pela varejeira costuma ser o gado, especialmente bezerros, em feridas no local onde foi cortado o cordão umbilical.

Um estudo que começou a ser desenvolvido por uma equipe da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) constatou que a incidência da miíase, doença provocada pelas larvas dessa mosca, está sendo ignorada pelos hospitais no Estado. Iniciada quando as varejeiras põem os ovos em ferimentos no corpo das vítimas, a miíase geralmente passa despercebida nos prontuários dos hospitais, onde consta apenas a origem das lesões.

O mesmo estudo constatou (mas não foi divulgado) que a maioria dos dançarinos de frevo se encontram infectados. A insuportável coceira é que faz com que eles pulem daquela maneira tresloucada. Quanto ao guarda-chuvinha, é item de segurança caso algum dançarino mais afoito venha a cair da ponte.

Fonte: Superinteressante Edição 165; Wikipédia; Diário de Pernambuco; Zé do bar.

O desespero está estampado na face dessas pessoas. Como é que não perceberam isso antes, óxente!

Essa mosca fidumaégua se alimenta de néctar das flores, frutas e restos de alimentos. Sei não, mas acho que até amianto crisotila e césio esse bicho come.

De qualquer forma, achei interessante o enfoque dado pela Secretaria da Saúde, pedindo à população que armazene corretamente seu lixo, principalmente amarrando o saco (de lixo, a amarração do outro saco se refere à campanha de controle da natalidade).

Só que no meu folheto veio faltando a página 2. Justamente a mais importante, que vai acabar de vez com a infestação da mosca na cidade. É sobre a primeira parte do plano, visando conscientizar a minoria da população urbana para que retire a criação de porcos de seus quintais, transferindo-os para a zona rural.

A sorte é que todos nós somos civilizados e conscientes. Assim, a segunda parte do plano - aplicação de multa e instauração de inquérito policial contra os que insistirem em atentar contra a saúde pública - certamente não se fará necessária.

Todos sabem, as moscas e os porcos inclusive, que não é amarrando saquinho que a praga será erradicada. O problema começará a ser resolvido somente a partir da retirada dos chiqueiros da zona urbana.

No ano passado até que se tentou, mas como alguns porcos e currais inexplicavelmente ficaram de fora do esquema do bota-fora, os demais permaneceram, e com razão.

Mas agora é sério. É questão de saúde pública, de respeito com o próximo. A coletividade não é obrigada a agüentar mosca em casa porque uma minoria insiste em criar animais para abate na zona urbana.

Tenho até uma sugestão para a campanha: “Lugar de porco é no campo”, tendo como símbolo um porquinho vestindo a camisa do Palmeiras.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Tem gosto pra tudo

Tem gente que vai pra Salvador e paga seiscentas pratas pra ficar pulando atrás de um trio-elétrico. No pacote: briga, assalto, cerveja quente, bêbado caindo em cima, calor insuportável, música enjoativa.


Mas, peraí, onde é o banheiro?

Tem gente que pinta a casa de azulão e amarelo-cheguei, deixando o frontispício parecendo um tabletão de Araldite.

Tem gente que entra numa sorveteria e pede um picolé de limão. E usando uma camisa do Botafogo.

Tem gente que gasta mil reais num celular, ou dois mil em som automotivo.


Chevetão tunado. As rodas valem mais que o carro.

Vale a pena discutir com esse povo?

Guardadas as devidas proporções, dada a maior complexidade do assunto, também não dá pra discutir com a turma apaixonada por cavalos.


A tradição indiana do casamento arranjado. Sou contra.

Mesmo porque, admito, o fato de não gostar de cavalos não significa que eu esteja com a razão, além do que o problema não é o animal em si, mas do enfadonho ato de andar a cavalo ou assistir a um peão boióla (redundância) tentar se equilibrar em cima de um.

Entretanto, turisticamente falando, as cavalgadas podem vir a ser uma boa forma de atrair turistas para cá, principalmente os da região.

Neste final de semana que passou, Carrancas foi ponto final de uma cavalgada que partiu da Fazenda Traituba. Aproximadamente 250 pessoas, entre cavaleiros e seus respectivos cônjuges e filhos foram recepcionadas no restaurante da Toca.

Muito comum ouvir falar bem de jipeiros e trekkers, e mal das cavalgadas.

Mas vi que não se pode generalizar, nem para o bem, nem para o mal.

Em minhas pedaladas, tenho visto muita destruição causada por jipeiros e motoqueiros que insistem em abrir suas próprias vias, subindo em pedras, esmagando mudas de árvores e arbustos, demolindo tocas de animais, criando valas e erosões.

O “Brasileirão de Trekking” do ano passado dispensa comentários. Só pra relembrar, usaram como trilha a água que chega às nossas torneiras, a mesma que bebemos e lavamos verduras e legumes.

Em contrapartida, fortíssimo argumento eriçado pelos críticos cavalares é a malfadada “Festa do Cavalo”, que anualmente ocorre em Carrancas e que não traz nada de bom pra cá, além de despender verba pública, que subsidia um tosco e desorganizado desfile de embriagados montados em farta distribuição de fezes e urina de cavalo pelas ruas da cidade, além dos revoltantes maus-tratos envolvendo animais.

Lado outro, tenho observado que algumas cavalgadas têm atraído pessoal de nível diferenciado, muito interessante para o desenvolvimento do turismo local. Não os pinguços e baderneiros do festão eqüino. Coincidência ou não, todas as cavalgadas de sucesso envolvem os proprietários da Toca.

Com isso cheguei à conclusão que as diversas atividades com potencial para atrair turistas, se organizadas por gente que entende do tema do evento, não importa qual seja, cavalgada, trekking, baile funk (ou fuck, para os íntimos), são válidas.

A cavalgada da Toca foi a única atividade que trouxe turistas em janeiro. Mais uma vez, como é de praxe, foi a iniciativa privada que se organizou, restando o poder público totalmente fora.
É fato, também, que o turismo de Carrancas está totalmente entregue às condições meteorológicas.

Turistas, aqui, são feitos de açúcar. Se chove, vão embora ou simplesmente não vêm. Se faz Sol, ói eles aí de novo, gente.

Só o paulistano que sai de Sampa com chuva ou sol. Também, naquele inferno...

No início do ano, que choveu aos borbotões, a falta de atividades extra-cachoeiras disponíveis aos turistas deixou muitos leitos vazios na rede pousadeira da cidade.

Mas no meu singelo entendimento, é justamente para isso que existe secretaria de turismo. Pra botar a cabeça pra funcionar e arrumar formas de atrair turistas que não seja apenas cachoeiras.

Pra inventar coisas do tipo concurso de luzinhas de natal e apresentação de coral, basta uma sessão de brainstorm em qualquer turma da segunda série do ensino fundamental.


Esses é que deveriam secretariar o turismo de Carrancas. Melhores e mais barato.

Tomem por exemplo São Thomé das Letras. Lá a prefeitura está investindo cada vez mais em eventos capazes de atrair turistas.

Na semana que passou, ocorreu lá o 1º Festival de Arte e Cultura, com a realização de oficinas de origami, malabarismo, grafite, apresentações de teatro, mágicas e shows musicais. Além de tudo, conseguiram unir turistas com a população, já que a molecada local está de férias.

Ah, não vamos ser tão injustos assim. A gurizada carente daqui, também de férias, está fazendo vários cursos intensivo nas ruas, dentre eles iniciação sexual precoce, degustação de pinga regional e também artesanato com papel: Aprendem rapidinho como fazer o próprio cigarro de maconha.

Nas localidades onde o poder público visa o desenvolvimento social e econômico da população, o novo secretariado é anunciado em alto e bom som, com pompa e festividade. Anjos tocam suas trombetas celestiais. Sinos repicam, pássaros cantam, velhinhos gritam truco, crianças sorriem. Renovam-se as esperanças de melhoria.

Aqui não, o (a) secretário (a) de turismo, juntamente com o restante do secretariado, não foi anunciado oficialmente, aos quatro cantos. É tudo na base do boca-a-boca, da fofoquinha.


Um agente-secreto foi destacado pela Folha pra saber do secretariado

Resta saber se por vergonha ou simplesmente acabou a pilha do megafone.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

XI - Não rirás das vídeo-cassetadas

Na postagem passada, gastei umas linhas narrando o que seria um épico fim da Flora Gomes.


Ocorre que, por ironia do destino, quase parto antes dela, quando sofri uma espetacular estabacada no Poço da Esmeralda na última terça-feira.


Poço da Esmeralda. Queria ver carregarem o corpo.


Aprendi tarde demais que minhas legítimas havaianas não se prestam a patinar no limo. Foi meu dia de papa, beijei o chão. E foi beijo de língua, de testa, de queixo, de nariz, chifre, tudo ao mesmo tempo. Pensei nos torcedores do Atlético, só batendo a cara pra dar galo na cabeça. A esposa teve que me segurar pelo calção, evitando que eu fizesse um mergulho compulsório no poço.


E ainda sobrou para o cotovelo, o ombro esquerdo e os dois joelhos. Cheguei a quicar. Mas graças ao meu airbag-barriga de chopp, minhas vergonhas restaram ilesas.


A barriga de chopp já foi matéria de capa em conceituada revista


Pra minha sorte, próximo do local do sinistro estava um condutor de turismo que trazia de tudo em sua mochila. O Juliano tava mais pra Magaiver. Entre um ralador de noz-moscada, uma chave de roda, uma faca ginzu, uma meia vivarina, um cabeçote de sony betamax, uma bola de críquete, um LP do Wilson Simonal e uma espada-laser recarregável, ele tinha arnica e um remédio gringo que me emprestou para passar nos locais atingidos


E ainda fazendo uso de seus conhecimentos jedai, usou da Força cruzando uma faca na minha cabeça. E não é que valeu mesmo? A arnica, conservada em álcool, utilizada conforme os ensinamentos do Mestre Yoda, não tem pra ninguém.


Já falei nesse amado blog que para se conhecer o Poço da Esmeralda não há necessidade de guia, apesar de ter falado também que sem a presença de um o turista fatalmente perderá as atrações mais escondidas.


Porém, com meu acidente, deparei-me com outro fato, que apesar de simples, é muito grave.


Em terreno de cachoeiras e poços, você não está andando no chópscents, tampouco há plaquinhas alertando onde o piso está escorregadio. Além do limo, há o perigo das pedras soltas ou pontiagudas, submersas ou não, cabeças-d'água, desmoronamentos, abelhas, beija-flores kamikazes, borboletas-vampiro.


Famigeradas plaquinhas de aviso, que você lê quando já caiu.


A função do guia não é apenas conduzir o turista até o atrativo. O guia cuida também da segurança do turista, traçando a via mais segura, alertando os mais afoitos que determinado local é perigoso, saber quando e como evacuar a área (não na área) diante de mudança súbita de clima, vetar a ida de crianças/idosos/sedentários a determinados locais, e sobretudo, carregar consigo todo material necessário aos primeiros-socorros.


Conheço mais locais em Carrancas do que muitos que aqui nasceram. Só que esse guia que me ajudou, nascido em Carrancas, conhece o município e seus atrativos naturais como a palma da mão. Assim como outros guias nascidos em Carrancas e que trabalham de forma independente, merecem a confiança do turista, e carregam a exploração consciente do turismo nas costas, literalmente.


Só que, à exceção dos profissionais como o supracitado Juliano, em geral o turismo aqui é praticado no sistema do “venha a nóis”. Que venham os turistas, deixem seus ricos dinheirinhos e vão embora. Nenhum investimento no turismo, nenhum apoio ao turista é dado pelo poder público. Não há melhor exemplo disso que a não despoluição da Cachoeira da Fumaça.


Mas há outros exemplos.


Vimos que São Pedro deve ter viajado pro Dubai e largado a torneira aberta. A chuvarada em cântaros que tem caído aumentou o volume das águas. Isso, associado ao intenso fluxo de visitantes em férias, aumentou consideravelmente a ocorrência de acidentes em cachoeiras, como o patético estabacamento deste blogueiro da testa inchada e olho roxo.


Ao menos tive mais sorte que esse infeliz.


Para atender os acidentados, no hospital temos médicos de plantão que prestam satisfatoriamente seus serviços nos finais de semanas e feriados, além dos dias “de branco”. Mas é óbvio que falta ao poder público a delicadeza de colocar um dentista de plantão. Afinal, já disponibiliza à população os que clinicam nos dias normais. Basta remanejar o horário, com os mesmos profissionais existentes.


Só que sempre tive a impressão, e já falei disso nesse amado blog, que determinados setores daqui jogam contra o turismo, principalmente o executivo municipal, diante dos secretários de turismo nomeados a cada mandato, um pior que o outro.


Pensando pequeno, como quer a administração municipal, desprezemos então os turistas com seus dentes quebrados e absessos. Eles que vão pra Itutinga, que tem dentista de plantão, ou retornem para suas cidades e busquem socorro por lá mesmo.


Por outro lado, não sei se passa pela cabeça de nosso alcaide que não raramente algum morador da cidade possa sofrer algum acidente ou problemas envolvendo dente em final de semana ou feriado.


Assim, em caso de súbito respeito pela população de Carrancas, raro em períodos não eleitorais, de bom alvitre seria a escalação de um dentista para ficar de sobreaviso (plantão) nos finais de semana e feriados.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Globo x fauna e Flora

Li no Orkut uma abordagem interessante na qual Carrancas estaria se tornando uma extensão do Projac da TV Globo, em razão da presença anual da emissora no município para gravar cenas de suas novelas.


Dessa vez era pra novela das oito. E muitos viram na telinha a beleza local, mas pouca gente sacou que era Carrancas, já que a emissora “fura os zóio” dos interessados em incluir suas cidades no “agradecimento”, junto às letrinhas que sobem no vídeo ao término de cada capítulo.


Nas cenas exportadas pro mundo inteiro, foi de cortar o coração o momento em que a rica menina pobre Lara Ximenes contracenava com seu namorado mala-sem-alça-de-papelão-na-chuva tendo ao fundo a Cachoeira da Fumaça, o nosso Tietê, que recebe todo o esgoto da cidade sem tratamento.



Larinha Ximenes mostra o dodói que fez na gruta


Infelizmente não foi ao ar a hilária cena em que os dois discutiram fazendo acusações mútuas sobre a autoria do futum que pairava sobre eles. No Vídeo Show já deve ter passado.


Assistida à cena em alta definição, dando um leve zoom na imagem da cachoeira pudemos observar vários OFNIs (Objetos Fétidos Nitidamente Identificados) que desciam as águas como pequenos caiaques pastosos. Soube até de gente que saiu no tapa reivindicando para si a paternidade de um ou outro charuto de folha de couve ou almôndega de milho-verde que navegavam placidamente atrás dos atores. Só faltou a dança do siri.


Por esse prisma, acho que a Cachoeira da Fumaça está sendo mal aproveitada, devendo ser mais explorada.


Até mandei um imeio pro autor da novela sugerindo que ele filmasse a Flora Patrícia se banhando na Cachoeira da Fumaça. No final da novela, alguns dias após o banho, mostraria a nefasta se estrebuchando e liquefazendo no banheiro de um aeroclube, vitimada por um violento ataque de giárdias mutantes (só pra provocar a rival Record). A Flora Intestinal.


E pra dar mais emoção na cena e mantendo a fixação dos novelistas por atropelamentos e explosões, ela sairia do banheiro em desabalada carreira, sendo colhida por um Scania na rodovia.


Imagine a cena: Parecendo um chester desossado, toda estropiada cospe seu globo ocular que estava entalado na garganta, recoloca-o no lugar e, quando tentava se arrastar até um monte de terra no acostamento, é atingida na cabeça pela ponta de uma prancha de surf que voou de uma Brasília movida a gás de cozinha cheia de corintianos pagodeiros que explodiu ao se chocar na bomba de gasolina do posto quando perdeu o controle ao se desviar do Scania assassino.


Porém, a benevolência divina fez com que o fim da bandida fosse mais rápido, sem maiores sofrimentos, pois, já no acostamento, ela morreria em questão de segundos devido a um choque anafilático causado pelo ataque de centenas de formigas, já que aquele monte de terra era, na verdade, um gigantesco formigueiro de lava-pés.


No finalzinho, junto com a palavra F I M, com um close fechando em sua face inchada e ensangüentada, ela abriria um dos olhos e daria um sorrisinho de canto de boca que faria o Beira-Mar, o Bin Laden, o Freddy Krueger e o José Dirceu borrarem nas calças.


Em resposta às considerações acerca do Projac - Carrancas, no mesmo tópico do Orkut foi postado um interessante comentário de um cidadão chamando atenção para o fato de, em que pese a proibição da visitação das grutas e cavernas por turistas, a Globo estaria liberada.


Mas sempre foi assim. Ela simplesmente chega, instala seus imensos equipamentos, põe um exército de gente passando pra lá e pra cá, e dane-se, mostrando quem é que realmente manda no pedaço.


Mas nesse meio tempo ocorreu um fato novo em nível nacional, referente à proteção de grutas e cavernas.


É que o molusco de barba assinou no dia 11 de novembro um decreto que autoriza a destruição de 7.300 grutas e cavernas brasileiras que estavam protegidas até então por lei, passando por cima de todas as manifestações que foram contra. O decreto agrada apenas as grandes mineradoras e usinas hidrelétricas, que tinham as grutas como um empecilho aos seus empreendimentos. A destruição obedece ao critério de relevância das cavernas: máximo, alto, médio e baixo. Apenas as formações de “máxima relevância” deverão ser preservadas. As demais poderão ser eliminadas desde que haja autorização por parte de órgãos ambientais.


Pelos novos critérios, grutas com “alta relevância” poderão ser destruídas desde que o empreendedor se comprometa a preservar duas similares. Para impactar formações com “média relevância”, o empreendedor deverá adotar medidas e financiar ações que contribuam para a conservação e o uso adequado do “patrimônio espeleológico brasileiro”. Já cavernas com “baixo grau de relevância” poderão ser impactadas sem contrapartidas, só que isso equivale a cerca de 70% das cavernas brasileiras.


As palavras de José Pedro Naisser, ecologista, descre
vem bem o fato:


"Tão trágica quanto
bizarra a decisão do Presidente Lula que não entende nada de Meio Ambiente, Turismo e Cultura Espeleológica, a não ser sua linguagem de bobagens ditas de improviso pelo mundo afora. Com um decreto, como sempre antes de viajar, autorizou a destruição de 7.300 Cavernas e Grutas em todo país, cujas medida irão favorecer as Mineradoras que já se preparam para a utilização desses espaços Arqueológicos que a Natureza levou milhões de anos para sua construção. Esse homem leva dois dias para liberar a sua destruição. Essa Sr.Presidente, deveria ir para o Guiness, pior que os crimes contra a Humanidade, serão os crimes contra a Natureza, Biodiversidade e a Vida."



Alguém poderia sugerir ao molusco que fizesse das grutas adegas nacionais.


Entretanto, pra nossa sorte, a onipresente, onisciente e onipotente deusa universal do entretenimento e alienação Globo Comunicação e Participações S.A. abençoou as grutas de Carrancas como de “máxima relevância” para ganhar dinheiro, motivo pelo qual elas não serão destruídas imediatamente enquanto servirem de cenário de baixo custo.


Continuarão as grutas, a exemplo dos demais atrativos naturais de Carrancas, sendo destruídas lentamente, na medida que servirem de cenários para novelas, visitação descontrolada, tiverem a mata ciliar queimada, e o esgoto sendo lançado in natura nas águas do Ribeirão Carrancas, tudo graças aos vários Silveirinhas de Carrancas, que se ocupam exclusivamente em servir suas Floras, vangloriando-se da presença da Globo, incapazes de ter ideias para incrementar o turismo e implementar sua sustentabilidade, limitando-se a assistir à derrocada do turismo.


Os Silveirinhas odeiam este blog


E quando tudo estiver acabado, a fonte do turismo esgotada com a destruição ou fechamento dos locais de visitação, os Silveirinhas vão tratar de vender eucalipto, marmitex em pedreira, erguer construções em terreno alheio, ou até mesmo sumir daqui e procurar outra localidade pra acabar com ela.


Coquetel Molotov,

Engov e muito love:

Feliz 2009

(haikai trash)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Isso é um blog (ou é apenas uma frase dizendo que isso é um blog?)

Mês passado tivemos a ousadia de tirar dez dias de férias após quase quatro anos sem elas.


A conseqüência de tão grave atrevimento percebemos quando retornamos ao batente, pois o volume de serviço acumulado era tamanho que hoje, com seqüelas da correria, estamos carecendo de outras férias.



Foi difícil sair de férias, mas o pior foi retornar


Não bastasse a cobrança dos clientes, os pedidos em massa dos leitores deste amado blog por uma postagem me deixou com um pequeno mas incômodo sentimento de culpa. Como pude ser tão cruel, deixando o blog às moscas e os leitores desamparados, sem a leitura semanal? Egoísta, insensível, condenei-me a dez chibatadas.


Como os fãs podem verificar na última postagem, ao comentar o abandono do blog o leitor que preferiu esconder sua identidade atrás do anonimato chegou a aventar a hipótese de que eu estaria amedrontado (junto com ele?) ou estaria eu em conluio com os governantes.


Bela comemoração dos 25.000 acessos.


A todos justifico que sequer consegui resolver todas as questões pertinentes ao trabalho, restando então a pobre e querida Folha no aguardo de alguns momentos de ócio criativo do blogueiro, que estão ficando cada vez mais escassos.


Além dos pedidos incessantes de postagens, minha caixa de entrada recebeu uma avalanche de denúncias de um suposto plágio impresso que anda circulando pelas ruas da cidade. Antes mesmo de tomar conhecimento do que se tratava, os denunciantes, à unanimidade, já chegavam gargalhando acerca de seu conteúdo, ao mesmo tempo em que expressavam seus espantos de até onde pode chegar a natureza humana e manifestavam suas indignações por terem suas inteligências subestimadas.


Peguei o texto, e com muita paciência e perseverança, consegui ler até o fim. Apesar da náusea inicial, que quase me fez correr ao WC, o texto me levou a uma gostosa viagem ao passado remoto, quando na escolinha a tia nos mandava elaborar uma poesia em homenagem ao dia das mães, da pátria ou à elas mesmas. Ao final, descontração total. Ri muito. É incrível como certas pessoas tentam diuturnamente nos fazer de idiotas. E não conseguem.


Minha cadela, a Luna, foi mais sensível ao texto


Entretanto, espero que hajam outras edições daquele impresso, pois, em termos comparativos, valoriza sobremaneira meu trabalho. O problema é que, proporcionalmente, aumenta a cobrança por atualizações neste amado blog.


Nesse período sem postagens, foram várias as manifestações que ocorreram pelo mundo, todas em prol do retorno imendiato das postagens:



Putz, se ao menos eu ganhasse um real por cada pedido de postagem, estaria hoje uns quinhentos merréis mais rico (ou melhor, menos pobre).


Mas concordo que as cobranças não são em vão, pois muita coisa aconteceu na terrinha e na Terrinha neste lapso blogal, desde a grobo gravando novela em Carrancas, a tragédia no sul e o furto de bens doados e a sapatada no Bush. Mas isso fica pra outra postagem, junto com a próxima passagem do Cometa Halley, porque a dona encrenca tá me olhando feio e mandando trabalhar.





"O novo não está no que é dito, mas no acontecimento de sua volta".

Michel Foucault - A Ordem do Discurso

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Pensou mudança, pensou Granero (ou Tijuana)

Invejo o povo americano. Mas é aquela inveja branca (seja lá o que for isso), politicamente correta.


Um povo que valoriza o mérito, valoriza quem vence.



O brasileiro não. Ao mesmo tempo em que fica pê da vida quando o Massa fica em segundo ou a seleção perde o título, passa a mão na cabeça daquele que não tem capacidade, dando um jeitinho para colocá-lo no cargo, por razões políticas, religiosas, econômicas, nunca por mérito próprio. O filho do amigo, o antigo funcionário, o experiente professor é o que se valoriza por aqui, mesmo que não tenham conseguido nada de bom, nem para si, nem para a empresa, nem para os alunos. Valeu a intenção, é muito esforçado, é um cara legal, é o que basta.


O americano desde pequeno é treinado, condicionado a vencer - ou morrer. É questão cultural, passa de pai para filho. Isso não significa que à primeira derrota o cara vai lá e pula da Golden Gate ou atravessa uma espada na buchada. Isso é coisa de japonês. Significa que vai tentar vencer sempre, vai se aprimorar, buscar aperfeiçoamento até conquistar seu espaço e poder tirar um sarro da cara de outro. Mais que os móterfóquer, ésroule e sãnófpiti, looser (perdedor) é o típico xingamento americano. Isso não importamos dos EUA, só drogas pesadas, como o rodeio, crack, McChicken e os Backstreet Boys.



Não é a toa que - ainda, e pra todo o sempre, amém - é o país mais rico do mundo. Espertos, sabem que a aversão a estrangeiros é coisa de imbecis e ditadores. Estendem o tapete vermelho aos estrangeiros cientistas, profissionais especializados e mão-de-obra qualificada, pois sabem que ganharão muito com eles.


Outro indicador de que os americanos estão lá na frente é o baixo índice de natalidade. Ou o casal não tem, ou possui apenas um filho.


No Brasil ainda é comum um casal montar em casa uma fabriqueta de crianças- ME, para aumentar a chance de ver um filho vencer na vida e garantir a aposentadoria deles (dos pais).


Raimundo Nonato Magela, 39 anos, feliz com seu mais novo produto, o 17º em sua carreira


É a previdência privada à brasileira, egoísta e insana. “Filho a gente cria”, esquecendo que para se vencer na vida, hoje, demanda principalmente o estudo em escolas particulares e boas, que permitirá a entrada em faculdades idem. Exemplo disso são as centenas de faculdades de “dereito” espalhadas país afora. Vítimas (ou nem tanto) de estelionato educacional, o bacharel em “dereito” formado por essas instituições sequer conseguem aprovação na OAB, ou seja, são impedidos de exercer a profissão de advogado (pra sorte de quem precisa de um). Claro que um ou outro herói consegue vencer estudando em escola pública. Mas isso é exceção, e rara, diga-se de passagem.


Diz aí, amizade, quais as chances do jovem que estudou a vida inteira em escola pública, onde alguns professores perdem tempo e horas de trabalho fazendo greve, metendo o bedelho em política, reunindo-se em assembléias sindicais para brigar por aumento salarial ao invés de lutarem pela melhoria do ensino e o sucesso de seus alunos? Questão de satisfação pessoal. E ainda se orgulham...


Não é à toa que o alunado tup’n kin envergonha o país nos índices mundiais.


Invejei (branca, olha lá, hein!) o povo americano na festa da eleição do Barak. A esperança, os ares de mudanças que sopram por lá estão tão fortes que há riscos de furacões.


Tomara que não ocorra ali o mesmo que no Brasil. Otário, votei no molusco pela primeira e última vez nas eleições presidenciais de 2002, crendo piamente que haveriam mudanças, sendo que o que houve foi somente a troca de poder e o aumento na dilapidação do patrimônio nacional. Melhor distribuição de renda (entre a cúpula do ParTido e adjacências, é claro).


Bairristicamente falando, no sentido de mudança certamente aqui em Caretas a decepção também viria, caso o resultado fosse outro. A bandeira da renovação, empunhada pela chapa derrotada era fajuta demais, a farsa era explícita, tava na cara, conta outra. A não ser que a mudança prometida era a pura e simples troca de poder, nada mais. Mas, trocar seis por meia-dúzia, como diz a galerinha do MP3, não rola.


Nesse diapasão, atingido e contaminado por respingos da onda de esperança americana, quero crer na possibilidade de gritarmos "Terra-à-vista!" nos próximos meses, quando assistiremos às mudanças que já deveriam ter ocorrido por aqui. Que não persista essa paradeira, que só nos fará ouvir "Abandonar o navio, mulheres e crianças primeiro!".


Se nada der certo, welcome to Tijuana (tequila, sexo, Maria Joana) e vamos pular o muro


E nos estertores, no apagar das luzes, ao cair o pano, como a perseverança é nossa marca registrada, restará a espera de que num futuro próximo surja um Obama aqui na Carranca-City, e que ele nos traga a verdadeira mudança.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A crise como uma luva

Dizem que Carrancas é uma cidade privilegiada. Para quem acha o contrário, sinto muito, o momento atual obriga a concordar com esta assertiva.


Dentre as principais atividades econômicas do município, temos a pecuária leiteira e o turismo.


Ideal seria se as duas atividades estivessem andando bem das pernas, mas infelizmente o preço do leite pago ao produtor está muito aquém do desejado. Falta de união dos produtores? Talvez. Sindicato fraco? Pode ser. O impacto dos prótons unicelulares no buraco de ozônio da cabeça da Luciana Gimenez? Sei lá. Que os interessados tirem suas próprias conclusões.


O valor pago pelo leite sequer permite fazer uma poupança doméstica


O que interessa é que essa privilegiada ambiguidade econômica é que nos tem salvo. E o momento, sem dúvida, é do turismo.


Num semestre pobre em feriados, temos nos deparado com uma agradável surpresa: A boa freqüência de turistas, principalmente nos finais de semana.


De início, beneficiamo-nos do terrível calor que anda fazendo, trazendo-nos visitantes da região inteira em busca de tomar uma fresca nas cachoeiras.


Além disso, Carrancas está começando a tirar proveito da atual crise mundial. Se por um lado a crise atrapalha os produtores rurais, seja pela alta dos preços nos insumos agrícolas, agravada pelo excesso de oferta de leite no mercado, a mesma crise mudou os planos de muita gente que pretendia viajar para o exterior.



Devido à alta do dólar, esses turistas resolveram viajar pelo Brasil, e Carrancas anda recebendo uma parcela deles.


É uma ótima oportunidade para conquistar novos turistas e transformá-los em clientes, já que possuem ótimas condições financeiras.


Então é mais do que urgente a necessidade do poder público em contratar um especialista na área do turismo para aproveitar os ventos favoráveis e consolidar a cidade como destino turístico dessas pessoas com melhor poder aquisitivo. Um profissional capaz de instituir e diversificar as identidades do turismo de Carrancas, para não ficar somente no eco-turismo.


Exemplo seria o turismo voltado para a terceira idade. A cidade não oferece artesanato e comida típica, o que mais atrai esse público “mala”, exigente e disposto a gastar.


E temos também os praticantes de esportes eco-radicais. É um dos melhores públicos, seja no aspecto financeiro, seja no aspecto da consciência de preservação da natureza.


O que tem sido feito para atrair esse povo? Nada. Os únicos que utilizam hoje a rampa de paraglider são os urubus e carcarás.


O grande problema enfrentado pelos urubus é a praga dos aviões que infestam nosso céu azul-anil


Vez ou outra recebemos a visita de jipeiros, que, ao meu ver, quando se juntam em bando são piores que adolescentes em excursão de escola. Como dirigir não exige esforço físico, enchem a cara, fazendo barulho e fumaça, jogando óleo e graxa nas águas, destruindo as trilhas, e ainda tirando fotos com os carros em cima de formações rochosas, habitats de várias espécies de animais.


Maldito financiamento de Land Rover em 98 parcelas!


Quase iguarquiném, mas em menor proporção, os praticantes de motocross. Mas esses - ufa - são raros por aqui. É que em Carrancas não tem “balada”.


É consenso que o melhor público esportista que tem vindo à cidade é o praticante de trekking, junto com o MTB. Certamente evento igual ao fatídico “brasileirão de trekking” não mais se realizará. E se ocorrer, da próxima vez terá gente séria e competente para promovê-lo, tanto daqui como de fora. Aquele episódio da água pisoteada ficará na memória do povo por muito tempo.


Mas não é só exigir da administração pública. Cabe também aos proprietários de pousadas e campings refletirem e cobrarem o preço real das diárias.


Alguns preços de diárias em Carrancas estão ridículos, totalmente fora da realidade até mesmo regional, como São Thomé, Baependi, Aiuruoca. Já que os atrativos são gratuitos, é lícito cobrar um pouco mais pela hospedagem.


Se ao menos os proprietários de pousadas viajassem um pouco, hospedando-se em outras pousadas, fatalmente concordariam comigo.


Só pra se ter uma idéia, pacote de final de ano (quatro dias) em Trindade/RJ, camping com chuveiro quente: R$ 250,00 POR PESSOA!!!


Isso cabe também aos guias.


O desespero pra pegar o turista a qualquer preço tem que acabar


Devido ao verão esturricante que promete vir aí, e a crise que trará novos turistas pra cá, a temporada que se aproxima deverá bombar.


Só que o sol nasceu pra todos, e várias localidades turísticas estão se antecipando e se preparando para a temporada, promovendo eventos, incentivando a população para produzir artesanatos, comidas típicas.


Preparar significa dispor ou planejar com antecedência. Se nada for feito, perderemos essa oportunidade de ouro.