Anéis, muitos anéis

sábado, 1 de março de 2008

O dilema do garçom na cidade das mil maravilhas

I- Do editorial

Convenhamos, não é por acaso que este blog passou dos 20.000 acessos.

A explicação é simples. No decorrer do tempo, por não veicular matérias pagas e retratar a realidade no município, A Folha se tornou na principal fonte de informações sobre a cidade.

O blog conquistou leitores não apenas no Brasil – espalhados por Caretas, Belo Horizonte, São Paulo, Rio e Brasília, como também vários leitores “na gringa”.

Fato interessante é o acesso quase diário de leitores que não possuem computador e que superam os mais inusitados obstáculos para, logo cedo, nos acessar de seu trabalho.

Em homenagem a este leitor, que por seu inadvertido esforço ajuda a manter a Folha no ar, continuaremos a fazer nosso papel (virtual) de mostrar a todos que, diante de tanta desinformação e falsas propagandas, o pior cego é aquele que se recusa a enxergar.

II – Do assunto principal

Estava logo à esquerda, em “Notícias do mundo de lá” - Turismo, a notícia de que ministério do Turismo deve assinar até o início de março um convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para liberação de US$ 1 bilhão, num prazo de até dez anos, para investimentos em todos os estados. O anúncio foi feito no último dia 20 pela Ministra do Relaxa e Goza, que disse:

Acho que nas próximas duas semanas nós vamos assinar o convênio com o BID, que vai ser um Prodetur [Programa de Desenvolvimento do Turismo] nacional . Isso vai ser um passo gigantesco, porque o Prodetur até então trabalhava infra-estrutura para o Nordeste somente. Este agora é um guarda-chuva de US$ 1 bilhão para o Brasil todo. Isso para o turismo é fundamental, porque você não tem turismo numa cidade com córrego a céu aberto. Agora, o Prodetur é exatamente para aplicar no Brasil todo em infra-estrutura turística”.

Se continuarmos com políticos como os que aqui estão, ficaremos de fora do guarda-chuva, sobrando-nos nada além do que um baita resfriado.

O turismo, para ser um turismo que realmente dê certo, tem de levar dignidade e qualidade de vida para quem mora naquele lugar”, ressaltou a ministra.

De acordo com a assessoria, o Prodetur nacional acontecerá na medida em que os estados e cidades apresentarem seus pedidos e propostas ao governo. As verbas do BID serão liberadas diretamente pelo banco a cada projeto, e em todos os casos haverá contrapartida do governo federal e do tomador do recurso.

O prazo é de até dez anos, mas a totalidade dos recursos poderão ser liberadas antes, desde que os projetos sejam apresentados e aprovados, segundo o ministério. Fonte http://www.atarde.com.br/brasil/noticia.jsf?id=841313

Vamos ver se agora, com a notícia divulgada por esse amado blog, alguém aí acorda e se mexe pra fazer algum projeto na área turistica e correr atras da verba. E pelo que entendi, até no tratamento do esgoto vai dar pra mexer com esse dinheiro.

De outro lado, os incansáveis voluntários do SIFUMU trouxe-nos escrito apócrifo tecendo loas à atual administração (só podia ser apócrifo, mesmo), por ter Caretas ficado em 17ª lugar em (di) gestão dos recursos públicos.

Só se divulgaram a lista de cabeça para baixo...

Mas tudo bem, muito bonito ganhar elogios, receber condecorações, mas qual o resultado prático disso?

São onze horas, e está tudo bem em Caretas? Então dê uma circulada pelas estradas do município. Daqui a pouco só em lombo de mula.

E as ruas esburacadas da cidade? A entrada principal da cidade está terrível! Crateras, matagal, terra, areia, lixo...Completem comigo a placa: “Bem vindo a Caretas, só que não repare na bagunça não!”


Os buracos nas ruas revelam o quanto de amor por Caretas tem a administração pública

E por falar em lixo, não é novidade a idéia de implantar aqui a coleta seletiva de lixo, com a construção de uma usina municipal de reciclagem.

Poderiam até aproveitar o espaço físico do antigo laticínio. Devidamente separado da fábrica de queijo que será instalada, a usina também geraria vários empregos diretos e indiretos.

Sem sombra de dúvida, muito melhor do que oferecer o mesmo espaço (público) para instalação de uma birosca particular qualquer, com apenas dois ou três beneficiados trabalhando.

Além de ser aplicação do princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse privado, daria mais transparência e moralidade aos atos públicos. Sabem como é, tipo utilização de bem público em benefício da população, licitação para a realização da obra, concurso público para contratação de funcionários da usina...

E quanto às parturientes, que se o parto não for normal, algumas são enviadas a Lavras, e outras remetidas aos mais recônditos lugares de Minas para terem seus filhos?

E aí, tudo bem? Dá pra acreditar no futuro de Caretas? Décimo-sétimo lugar em quê, mesmo?

Será que o povo daqui merece só isso, a prefeitura pagando contas em dia e salários, sem investimento na melhoria da qualidade de vida da população? O povo não quer apenas sobreviver, quer ter condições de crescer.

É a mesma coisa de propagandear a reforma das intalações da escola, sem investir na qualidade do ensino propriamente dito. O que todos gostariamos de ver é a notícia de que “Fulano de Tal, carentense, foi o 1º colocado na olimpíada de matemática realizada em nível estadual”, ou, “O grupo de dança da escola participou, pela primeira vez, do..., ou ” o time de basquete da escola ficou entre os melhores da região...”

São Thomé das Letras desta vez é exemplo positivo, ao instituir aulas de capoeira e caratê na escola.

E segue a pergunta: Qual a vantagem de bidês ou portão novo, diante da altíssima competitividade no mercado de trabalho?

Mudando de assunto, pero que no mucho, está sendo oferecido na cidade um curso de garçom.

Agora me digam: O que adianta o cara fazer o curso, se não tem emprego, e quando tem, é esporádico e por curtíssimo período?

Ora patrícios, não há fluxo de turistas que justifique um restaurante aberto diariamente. Os poucos que abrem só o fazem porque há neles verdadeiros funcionários Bom-Bril, de 1.001 utilidades. O cara é, ao mesmo tempo: Garçom, cozinheiro, marceneiro, encanador, jardineiro, eletricista, recepcionista, motorista, segurança, , estoquista, office-boy e babá.

A maioria só abre nos feriadões, e toca a correria de chamar o jovem pra fazer um biquinho de garçom. Daí acontece o seguinte, enquanto não é chamado, o feliz tem que se virar pra descolar uma grana. Com uns caraminguás na algibeira, justamente no feriado quando a cidade lota e há alguma coisa pra fazer, com a casa cheia de primos e amigos de fora, o cara é chamado para trabalhar.

E por se tratar de bico, o patrão paga uma merreca, além de jogar tudo nas costas do coitado. É mais um certificado pra encher a gaveta. Não, e ainda reclamam que o jovem de hoje é irresponsável, não quer estudar, nem trabalhar. Mas é claro, não tem estímulo!

É mais fácil o patrão reclamar do pobre garçom do que reivindicar da administração pública providências para atrair o turista em março, junho e agosto.

Recentemente vimos pela tv que o chimpanzé Ayumu foi treinado por cientistas japoneses a jogar o jogo da memória. Consegue ganhar até de universitários.


Ayumu e seu joguinho predileto

Então proponho o seguinte: Se quiserem, eu e o Ayumu poderemos trazer os mais variados eventos em feriados prolongados. É só dar uma banana pro Ayumu e um pedaço de gorgonzola pra mim.

Agora, pra trazer eventos fora de temporada ou feriados prolongados, como o Ibitiblues, em Ibitipoca, o Festival de Gastronomia e Encontro de Harley em Tiradentes, melhor contratar profissional especializado, competente em sua área, não eu ou um chimpanzé.

Flagrante de Ayumu quando visitou a rampa de parapente e ficou sabendo que a Cachoeira da Fumaça é poluída.

Curso de garçom em Caretas, hoje, só se for pra expulsar o cidadão daqui. Isso interessa a quem? É o mesmo que oferecer curso de manutenção de geladeiras no pólo norte.

Se é pra sair com o jovem daqui, dêem cursos de informática, auxiliar de escritório, marcenaria, espanhol, alemão.

Querem ajudar os jovens? Querem subsidiar? Então premiem os melhores alunos com bolsas de estudo fora daqui. Organizem concursos culturais de verdade, do tipo “soletrando”, redação. Sem essa de melhor sambista e luzinha de natal. E com premiação que valha a pena.

Para o concurso cultural, já tenho até uma pergunta que poderá ser utilizada:

- O que está em vias de extinção em Caretas?
Resposta: Mais do que o Lobo-Guará e a Jaguatirica, o que realmente corre o risco de "instinção" em Caretas é a Língua Portuguesa.

Em virtude disso, nossa recomendação é: nunca, jamais, em hipótese alguma pergunte a quem escreve "instinção", o plural de "fé".

1 Chora mizifí!!:

Marcela disse...

Como dizia o Profº Girafales: 'As crianças são o futuro da pátria'. O Brasil não precisa de garçons e sim de crianças e adolescentes tendo uma educação de qualidade.
Se não dão jeito no turismo, quem vai garantir a educação?!!!
É decepcionante ser brasileira.