Que 2.007 foi um ano péssimo para Caretas, ninguém discute, pois foi nele que a cidade ganhou a fama regional de terra sem lei, devido a ação criminosa de alguns selvagens.
Contudo, por pouco 2.008 não marcou Caretas, logo de início, como cenário de uma catástrofe que colocaria a cidade no mesmo patamar do Rio de Janeiro quando do caso do Bateau Mouche.
Pra quem não sabe ou lembra, o Brasil entrou em 1989 diante de uma de suas tragédias mais revoltantes. Como fizeram milhões de brasileiros, na noite de 31 de dezembro um grupo de 150 pessoas vestiu-se de branco para passar o réveillon. O plano era fazer uma festa no lugar mais animado do país nessa ocasião - em frente à Praia de Copacabana, que, à meia-noite, costuma ser iluminada por uma espetacular queima de fogos de artifício. Para tanto, todos pagaram caro pelo ingresso vendido pela companhia de turismo Itatiaia. Em seguida, tomaram o barco Bateau Mouche IV para realizar um passeio na Baía da Guanabara, local conhecido por seus ventos fortes e ondas de mais de 2 metros de altura. Os empresários, artistas e políticos que embarcaram nunca imaginaram que estavam se dirigindo a um matadouro. Duas horas e meia depois de partir, o Bateau Mouche afundou, em frente à Praia Vermelha - a 5 quilômetros do ponto no qual seus passageiros assistiriam ao espetáculo dos fogos. No desastre morreram 55 pessoas. Foi um massacre estúpido e ainda mais dramático porque poderia ter sido evitado - foi previsto pelo comandante da embarcação momentos antes de ela seguir viagem e também detectado por dois sargentos de uma lancha-patrulha que abordou o Bateau Mouche logo depois de a travessia se iniciar.
Guardadas as devidas proporções, por muito pouco Caretas não teve seu próprio Bateau Mouche, quando um grupo de aproximadamente 15 turistas, acompanhado por apenas dois guias, visitava o atrativo conhecido como Cachoeira do Carniceiro, cujo ponto alto seria a descida da cachoeira através da técnica de rapel.
O local é distante e isolado, de difícil acesso e comunicação, sendo que a altura da queda beira os 100 metros, com pontos de rapel negativo (sem apoiar o pé no paredão). Ou seja, requer logística cuidadosamente estudada por parte de quem leva e preparo e conhecimento por quem pretende praticar.
Todavia, dois problemas. Primeiramente, conforme tenho dito em algumas postagens, cada vez mais o turista ideal, ou seja, o ecoturista, se distancia de Caretas.
Não é demais repisar que vem aumentando o tipo de turista que visita as cachoeiras com latinha de cerveja em punho, quando não um garrafão de vinho ou cachaça. O mesmo que quer estacionar o carro na água (e ainda ligar o som do carro) e reclama quando tem que pagar pelo acesso em algum atrativo. É o processo irreversível da sãotomelização do turismo de Caretas: sexo, drogas (álcool) e ...Bonde do Tigrão! E olha que em São Thomé das Letras os preços estão mais altos do que aqui.
Da minoria que vem pra cá a fim de praticar algum esporte, grande parte é composta por bikers/trekkers de shopping center, sem conhecimento ou preparo físico para encarar trilhas/atividades que não sejam de nível fácil. Que dirá descer um penhasco de 100 metros numa corda e retornar caminhando em trilha íngreme e estreita.
Atividades semelhantes devem ser organizadas por profissionais com o mínimo de senso de responsabilidade, demandando guias com treinamento específico em rapel, inclusive técnicas de resgate em altura, disponibilidade de equipamentos reserva, de segurança, de comunicação e de emergência, além de profundo conhecimento do local, com várias vias ou meios de acesso em caso de emergência, carro de apoio, alimentos de digestão rápida entre outros.
Como entre as “vítimas” poucos tinham prática, a descida de todos levou tempo além do previsto, o que os obrigou a subir o paredão para retornar ao ponto de partida caminhando em total escuridão, acompanhados por apenas um guia equipado com uma lanterna de carbureto.
Por sorte, uma “vítima” não quis descer e, desesperada, ligou o pisca-alerta do veículo que norteou minimamente os caminhantes.
Não é preciso tecer muitas considerações a respeito dos riscos pelos quais passaram as “vítimas”, pois além de uma queda livre sem pára-quedas, arriscaram o ataque de animais e insetos que vivem no local, entre eles cascavéis, urutus, aranhas, vespas, marimbondos, abelhas e o chupa-cabras.
Por sorte, ultrapassados tais obstáculos sem conseqüências mais sérias, renascidas as “vítimas” passaram a virada do ano no meio do mato, já que conseguiram retornar à cidade somente a uma hora da madrugada do dia 1º de janeiro.
Nossos heróis na alegre chegada na cidade, demonstrando grande ansiedade pra cair na farra em comemoração à chegada do ano novo que começou prometendo muitas surpresas.
Voltando a São Thomé das Letras, a cidade além das belezas naturais, é conhecida nacionalmente pelas trágicas mortes que ocorrem a cada temporada, fruto quase sempre da união droga, álcool, irresponsabilidade e mirantes.
Suportaria o fraco turismo de Caretas acompanhar São Thomé em mais essa pecha, das ocorrências funestas? Óbvio que não.
É no mínimo falta de profissionalismo colocar uma turma de quinze pessoas pra fazer um rapel do nível proposto, com trilha idem, sem a devida experiência e preparo físico, sem a guarnição de material humano e equipamentos essenciais. Falta de respeito contra os clientes, contra os empresários do setor de turismo, contra a população da cidade e, principalmente, desprezo com a vida humana.
É no mínimo falta de profissionalismo colocar uma turma de quinze pessoas pra fazer um rapel do nível proposto, com trilha idem, sem a devida experiência e preparo físico, sem a guarnição de material humano e equipamentos essenciais. Falta de respeito contra os clientes, contra os empresários do setor de turismo, contra a população da cidade e, principalmente, desprezo com a vida humana.
Assim como exemplo trágico e inesquecível do Bateau Mouche, Caretas agora poderia estar na tela de todos os telejornais do país e até do mundo, como cenário de uma tragédia. É certo brincar com a vida das pessoas? É correto pôr em risco toda uma economia de uma cidade, voltada cada vez mais para o turismo?
Tenho falado e criticado que nosso maior turista, além de outros vícios, não tem o costume de contratar guias. Mas como exigir isso do turista, diante de uma ocorrência dessa magnitude?
E o pior, é inevitável a generalização, por parte dos visitantes, e dos poucos que efetivamente contratam os serviços de guias, que em Caretas os condutores de turismo põem em jogo a vida do cliente.
Apesar da atenção que as “vítimas” receberam de alguns dos proprietários de pousadas onde se encontravam hospedados, estes sim verdadeiros profissionais à altura do que Caretas tem a oferecer, decerto as “vítimas” do ocorrido não se quedarão inertes em suas cidades, e apesar de cobertos de razão, infelizmente mancharão o nome de Caretas na medida em que prestarem seus depoimentos frente as suas comunidades.
-Nunca mais eu volto aqui- frase repetida por esta "vítima" exatas 35.897 vezes, das 18:34 de 31/12 às 3:45 do dia 01/01.
Concluindo, já está se tornando corriqueiro a população inteira se ver obrigada a arcar com os prejuízos causados por determinadas minorias e suas atitudes irresponsáveis. Mas até quando?




3 Chora mizifí!!:
Nunca tinha ouvido falar desse acidente de 89.
Colocar vidas em perigo pra mim é a causa mais grave que já vi aqui na Folha.
Com a vida não se brinca né?!
Óia! O pensamento é bem simplificado!
"Se não cuida e nem zela pelo bem estar e a vida de seus cliente (turistas) como é que vai cuidar dos turistas de uma cidade inteira???"
Haroldinhooo, desculpa a intimidade, mais to com preguiça de apertar o backspace....aki tenho uma super missão pra vc...descobre qual especie de inseto fica em baixo das aguas das cachoeiras de carrancas, so sei q ele tem uma parte de sua metamorfose dentro de um casulo construido de pedrinha de cascalho...ajuda esta biológa desesperada...rsrs
Obrigada
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